O que não pode mais ser aproveitado para o consumo humano pode ganhar uma nova finalidade e voltar à terra em forma de adubo. Esse é o resultado de um trabalho de destinação ambientalmente adequada de resíduos desenvolvido pela Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul (CEASA/MS), que transforma parte do material orgânico gerado no entreposto em benefício para a agricultura familiar.
A iniciativa começa com a separação dos resíduos de frutas, verduras e legumes que já não apresentam condições próprias para o consumo. Por meio de uma parceria com a empresa Organoeste, esse material passa por um processo de compostagem e é transformado em adubo orgânico. Parte do composto produzido é posteriormente destinada, por meio da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), a agricultores familiares de Mato Grosso do Sul.
Mais do que dar uma destinação correta aos resíduos, a iniciativa estabelece uma conexão entre sustentabilidade e produção rural, fazendo com que um material que seria descartado retorne ao campo e contribua para o desenvolvimento das lavouras.
Um dos exemplos desse trabalho está na Chácara O Mundo Encantado, propriedade da agricultora familiar Joana Mendonça, localizada na região do Aguão, a aproximadamente 25 quilômetros de Campo Grande. Ao lado do marido e do filho, Rafael Mendonça dos Santos, ela cultiva uma variedade de hortaliças, verduras e frutas.
Na propriedade, o adubo orgânico recebido por meio da parceria tem sido utilizado em diferentes cultivos. Na última entrega, a família recebeu mais de 10 toneladas do composto, uma quantidade importante para melhorar as condições do solo e contribuir com a qualidade da produção.
Joana fala com entusiasmo sobre a propriedade, que recebeu o nome de O Mundo Encantado, e destaca os resultados percebidos desde que começou a utilizar o adubo.
“Eu planto tudo o que posso. Vivo feliz aqui! Com o adubo, as plantas ficaram mais robustas. É muito melhor usar adubo orgânico, né?”, conta a agricultora, com alegria ao falar do trabalho desenvolvido na chácara.
O filho, Rafael Mendonça dos Santos, também acompanha os resultados nas plantações e destaca a diferença percebida principalmente nas frutas. Segundo ele, o adubo apresentou bom desempenho nos cultivos e contribuiu para melhorar a qualidade dos produtos.
A produção da família também chega à CEASA/MS. Parte dos alimentos cultivados na chácara é comercializada no Centro de Comercialização da Agricultura Familiar (CECAF), espaço que aproxima produtores rurais dos consumidores e fortalece a presença da agricultura familiar no entreposto.
Sustentabilidade que retorna ao campo
A destinação dos resíduos orgânicos faz parte de um conjunto de ações desenvolvidas pela CEASA/MS para reduzir o desperdício e promover práticas ambientalmente responsáveis. O trabalho envolve coleta, separação e encaminhamento dos materiais, buscando o melhor aproveitamento possível daquilo que já não pode ser comercializado ou consumido.
Para Rodrigo de Oliveira Xavier, analista administrativo da CEASA/MS, a iniciativa demonstra que a gestão adequada dos resíduos pode gerar benefícios que ultrapassam os limites do entreposto.
“Quando damos a destinação correta aos resíduos orgânicos, ampliamos o alcance do nosso trabalho. O que antes seria descartado pode ser transformado em adubo e retornar ao campo, contribuindo com a agricultura familiar e com a produção de alimentos. É uma ação que reúne responsabilidade ambiental, sustentabilidade e apoio a quem trabalha diariamente para produzir”, destaca Rodrigo.
A iniciativa também está alinhada ao Compromisso Lixo Zero, assumido pela CEASA/MS em parceria com a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), que estabelece como meta o desvio de pelo menos 90% dos resíduos dos aterros sanitários.
Da separação dos resíduos no entreposto ao cultivo de frutas, verduras e hortaliças no campo, o trabalho mostra que sustentabilidade também significa criar oportunidades e fortalecer quem produz. Na Chácara O Mundo Encantado, o resultado dessa iniciativa já pode ser percebido no desenvolvimento das plantas e na qualidade dos alimentos que chegam à mesa dos consumidores.









